domingo, 26 de janeiro de 2014

O Dragão das mil flores


Blimunda - janeiro 2014


O Meu Avô - Catarina Sobral


Depois dos aclamados Greve e Achimpa, eis que chega o terceiro livro: O Meu Avô!



O lançamento do livro está previsto para dia 9 de Fevereiro, pelas 15h30, na livraria Ler Devagar, a entrada é livre.

O meu Avô. E o Dr. Sebastião. Duas personagens, dois tempos diferentes. 


O meu Avô acorda todos os dias às 6 da manhã. O Dr. Sebastião acorda às 7. Cruzam-se todos os dias à mesma hora. O meu Avô já teve uma loja de relógios. Agora tem bastante tempo. O Dr. Sebastião não é relojoeiro nem tem tempo a perder. O meu Avô tem aulas de alemão e aulas de pilates. Escreve cartas de amor (ridículas) e faz regularmente piqueniques na relva, comme il faut. Depois, ainda tem tempo para ir buscar-me à escola… De Pessoa a Manet, de Almada a Tati, um livro repleto de referências artísticas. 


                                Nas livrarias em Fevereiro, não percas!

Bichos do lixo

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

CORPO HUMANO



Palavras que eu gosto

Retro-escavadora Rita Cortez Pinto




Era uma vez uma palavra que vivia confortavelmente no dicionário, tentando passar despercebida entre a multidão de letras. Até que – ah-ha! – alguém lhe apontou um holofote e fez com que toda a gente reparasse nela...





#1: RETRO-ESCAVADORA




O Pedro e a Mathilde têm um acordo. “Como é que eu sei que és mesmo a minha filha? Que não és outra menina, muito-muito-muito parecida com ela?” A pergunta tem toda a lógica. A criança que tem à frente podia ser um clone produzido em laboratório, por exemplo, ou um extraterrestre disfarçado a tentar fazer-se passar por original. A Mathilde dispara a resposta, já na ponta da língua: “Retro-escavadora!”
E assim cai por terra todo um possível rol de teorias da conspiração. Esta é mesmo a Mathilde, assunto encerrado. Quem fala assim não é alien.

Essa retro-escavadora que, quando as paredes vêm abaixo, abocanha o entulho na sua enorme mandíbula, é a mesma que leva também as dúvidas do Pedro para o contentor do esquecimento. É a palavra-código, a senha secreta combinada entre eles. A porta de entrada que dá acesso a mundos paralelos de sentido. Cumplicidade: ligada. Memória: activada. Bip.

Agora sim, podem respirar de alívio. E tudo graças à retro-escavadora. Que para muitos não passará de uma máquina grande e feiosa, baptizada com um nome igualmente anguloso, cheio de bicos, arestas e dentes afiados. Mas para mim é muito mais: é esta palavra que se enrola na língua e salta na boca como as peta-zetas.

Ainda por cima simpatizo com aquela espécie de dino-robô: imagino-o sempre como o último descendente dos dinossauros, um réptil que em vez de se ter extinguido, sofreu mutações sucessivas desde os tempos pré-históricos – qual Transformer gigantesco em acção – e chegou aos dias de hoje ressurgido num corpo mecânico, plenamente adaptado à era moderna.

É tudo uma questão de perspectiva: pode-se olhar para a retro-escavadora como um vulgar Caterpillar ou como um belo exemplar de mecanossauro: Mecanossaurus rex, o rei da selva tecnológica. Agora escolha.

Texto de Catarina Sacramento
Ilustração de Rita Cortez Pinto

Era uma vez... uma casa



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Leonel Neves

A PULGA

Um ponto somente
é este animal
que pouco se vê
e muito se sente.

E a gente não gosta
da pulga.
Porquê?
A pulga,
afinal,
só de animais gosta
e gosta
da gente.

A gente que o diga…
Gosta, morde e pica.
Mas que rica
amiga!
Pica
por ser má?
Pica
por prazer?
Lá prazer terá,
sabe-se isso bem…
mas, se a pulga
pica,
é para comer,
não mata ninguém.

O pobre animal
precisa de sangue…
Mas é natural
que a gente se zangue.

Quem dera apanhá-la,
mordê-la,
pisá-la!

Vai a gente ver
e ela
já se foi…
e sempre a morder.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Sou um boneco de neve! - Alda Casqueira Fernandes



Sou um boneco de neve
E tenho um grande nariz
Vivo no meio do frio
Mas mesmo assim sou feliz


Depois de olhar p'ra mim
Toda a gente fica alegre
Tenho um grande nariz
Sou um boneco de neve


Na cabeça um chapéu
E no pescoço um cachecol
Sou um boneco de neve
Que derrete com o sol


Um nariz feito de cenoura
E os braços feitos de esgalho
Se não fosse tão branquinho
Poderia ser...Espantalho


Alda Casqueira Fernandes

Longe de casa


Adivinhas com animais


Piolhex no planeta capitis


sábado, 18 de janeiro de 2014

Elizabeth Shaw


Nascida em Belfast, em 1920, Elizabeth Shaw morreu em Berlim, em 1992, depois de ter vivido a maior parte da sua vida na Alemanha de leste (antiga RDA: República Democrática da Alemanha, 1949-1990) com o seu marido, o escultor e pintor suíço René Graetz.


Escreveu e ilustrou numerosos livros – além de ter criado imagens para obras de outros autores (Mark Twain, Erich Kästner, Astrid Lindgren, Bertolt Brecht, etc.)

Violeta Figueiredo

Sem esforço e sem guerra,
minhoca de anéis suaves faz
na terra o que no céu fazem as
aves: abre espirais incompletas
para todo o sempre secretas.

in Fala Bicho

Festa do Livro

De 17 a janeiro a 9 de fevereiro, o Pavilhão Rosa Mota, no Porto, recebe novamente a Festa do Livro em Saldo, organizada pela Calendário de Letras. É a vigésima edição de um evento que, ao longo do tempo, passou pelo Centro Comercial Cristal Park e pelo Mercado Ferreira Borges, tendo-se instalado no Palácio de Cristal nos últimos anos.

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Ilustrarte 2014



papel

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 http://4.bp.blogspot.com/-O6ff_qyWoYM/Utj-MV128LI/AAAAAAAAL_Y/v2Jug4vLa30/s1600/DSCF0144.JPG

 Para quem não viu o vídeo de Ricardo Rezende, aqui fica o link.

Canção da Chuva

Canção da Chuva

Ping ping ping
Cai a chuva no telhado
Ping ping ping
Fica o chão todo molhado

Ping ping ping
Cai a chuva no quintal
Ping ping ping
P'rós barquinhos de jornal

"Corasons" na Papa-Livros

Futebol e o amor entre pai e filho

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"Domingo vamos à Luz"

Pato Lógico Edições
Texto: José Jorge Letria
Ilustrações: André Letria


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“Este é um livro de amor ao Benfica, um amor partilhado por um pai e por um filho, ontem, hoje e sempre.”

Sorte do Benfica.

O clube português recebeu, de pai e filho, um dos mais bonitos livros infantis sobre futebol. Méritos do escritor José Jorge Letria, que declama as glórias benfiquistas, e do talentoso André Letria, que ilustra com paixão as tardes vividas no Estádio da Luz, em Lisboa. Uma dupla em sintonia fina, na letra e no traço.

“Domingo vamos à Luz”, dos Letrias, e publicado pela editora portuguesa Pato Lógico, pode ser lido como uma poesia dedicada ao clube do coração. Pode, mas não deve. Não deve porque deixaria de fazer justiça à sensibilidade deles em expor o futebol acima da paixão clubística. O papel do futebol, aqui, é o de conectar entre pai e filho e construir identidades entre vitórias, derrotas, ídolos, títulos e respeito ao adversário. O amor ao clube se confunde com o amor que existe entre os dois. A cada domingo, pai e filho se tornam um só. As emoções que eles compartilham brotam de rituais e ideais, presentes a cada virada de página do livro. O vestir-se de vermelho, o completar o álbum de figurinhas, o comprar o sorvete e cachorro-quente e a idolatria ao craque Eusébio, o maior jogador da história do clube.

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A admiração do garoto por Eusébio verte em admiração pelo pai. Ora, são todos um só: pai, filho, Eusébio, Benfica. Mas essa visão de futebol está um pouco esquecida. Os exageros do futebol-mercado-consumo vêm, há tempos, corroendo esse romantismo. Por isso, há um bocado de inevitável nostalgia na escrita de José Jorge, especialmente quando fala de um “tempo distante e limpo” em que os jogadores eram mais que verdadeiros ídolos – eram fonte de inspiração.

“Domingo vamos à Luz, / como eu já fui com meu pai, / num tempo distante e limpo / em que os craques / tinha nos olhos / o brilho mágico / de todos os títulos por ganhar / e a juventude inteira, / garrida e altaneira, / para os alcançar.”
 
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O craque Eusébio, que morreu no último dia 5  de janeiro, aos 71 anos, é o grande exemplo de força e superação. A melhor fonte de inspiração para os Letrias benfiquistas.
“Domingo vamos à Luz, / onde eu vi o Eusébio a fintar, / a fazer golos e chorar, / menino da África distante, / veloz, certeiro e possante, / correndo de topo a topo / como a gazela elegante / que dorme ficando à espera / que a manhã se levante.”
Além de fonte de inspiração, na figura do craque, o futebol transborda do campo. Em vários momentos o livro não é sobre o Benfica, não é sobre Eusébio, nem sobre o futebol. É sobre pertencer ao grupo, à torcida, e sobre compartilhar alegrias e tristezas com desconhecidos. André Letria capricha nas feições de cada torcedor, montando mosaicos de rostos divertidos, tornando-os próximos como velhos amigos.


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É nesse ponto que o livro crava sua capacidade de surpreender: no traço que dá personalidade a cada torcedor. O futebol, afinal, não é sobre uma bola. O futebol é sobre pessoas. Sobre pais e filhos, como José Jorge e André, e esse amor que eles compartilham e puseram no papel.

Sorte do Benfica de tê-los como fans.